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17) O EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS

 

EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS

   1. SUA ORIGEM 

 Podemos entender  que a graça de Deus tem a sua origem  no seu amor. A graça é a extensão do amor e como Deus é amor a sua origem é essa. A graça é o amor de Deus em ação. O amor por si só não traz nenhum benefício a ninguém. Posso amar alguém com toda a intensidade, mas esse amor não  beneficia em nada a pessoa amada. Mas quando amo e estendo a mão para colocar o amor em ação, então há graça. Não sabemos por quantos milhões ou bilhões de anos, ou ainda por infinidade de tempo, (não se pode mensurar o tempo na dimensão de Deus; ele não está sujeito ao tempo, pois ele é Senhor e criador mesmo), Deus nos amou e com muita intensidade, mas nada aconteceu,  nem a nossa existência. Mas no dia em que ele começou a colocar em prática o seu projeto de amor em relação a nossa eleição e redenção, a graça começou a evidenciar-se e daí vem a origem do Evangelho da graça. Na execução do eterno projeto da nossa redenção, pela soberana graça de Deus, vieram às boas novas de salvação pela graça, O Evangelho da Graça. Todos os dons serão desnecessários e desaparecerão com a volta de Cristo, entretanto, o amor (Agape) permanecerá, pois é o maior poder (virtude) concedido por Deus aos seres humanos, especialmente aos eleitos (1Jo 4.10). Afinal, Deus é amor (1Jo 4.8) e ordena que amemos uns aos outros (Jo 13.34,35). O amor supera todas as dádivas. Mesmo depois que todos os dons passarem, o amor de Deus continuará a ser e perpetuamente o princípio governante dos relacionamentos no universo (KJ). E a graça é a extensão desse amor em ação.

     O significado da palavra Evangelho é boa nova, boa notícia. O Evangelho é uma mensagem da graça que traz alegria, paz, descanso; pois a mesma tem o poder de salvar, libertar, fazer feliz, fazer seguro, fazer saudável,  todo aquele que crer.

      Tudo o que acontece no exercício do amor é mediante a graça soberana de Deus. Inclusive a nossa salvação. Paulo disse: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”  (Rm 1.16). É no evangelho da graça que a justiça de Deus se revela  “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17)

    a) A preexistência do Evangelho da Graça -  “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: "Em ti, serão abençoados todos os povos” (Gl 3.8). Abraão viveu na graça mediante a fé, e não na lei. E aqui vemos o Evangelho da Graça sendo preanunciado a ele. Sabemos que essas boas novas da graça,  mesmo não levando o nome de evangelho, estão implícitas desde os primeiros capítulos de Gênesis. Por exemplo, quando o primeiro casal pecou, procuraram atenuar o seu problema mediante seus métodos de justiça própria, fazendo vestimenta de folhas para si. Mas Deus em um ato de graça  deu-lhes as  boas novas para a solução do problema deles. Na morte daquele animal vemos o preanuncio da nossa substituição por Jesus na cruz do Calvário. E isso é uma das maiores boas novas que poderíamos conhecer.

Nas obras de suas própria mãos  não havia justiça que pudesse sanear  o problema do pecado deles, por isso Deus lhes transmitiu o Evangelho da Graça, pois é no evangelho  que a justiça de Deus é revelada. E por todo o Antigo Testamento vemos, de certa forma, as boas novas de salvação. Mas foi na cruz que essas boas novas foram escancaradas para o homem. Tudo se consumou ali. Nenhum sacrifício do AT teria tido valor algum se o da cruz não tivesse acontecido. Nenhum perdão no AT ou no NT teria  validade sem o da cruz. Na cruz foi chancelada toda a manifestação da graça no AT e do NT. Se a cruz não acontecesse todos os mortos salvos no AT seriam transferidos do seio de Abraão para o inferno, porque sem a cruz nenhum perdão ou salvação do AT seria validado. O sacrifício de Jesus na cruz dividiu a história em antes de depois, mas uniu também todos os acontecimentos históricos, no que se refere a graça,  em torno de si. Na cruz se manifestou o maior ato de doação em toda a história do universo. O cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo se manifestou salvador, pela sua morte na cruz. Tudo se consumou lá. A nossa tão grande salvação que inclui o nosso perfeito e eterno perdão.  No AT o homem era perdoado, porque um dia Jesus morreria na cruz; e hoje o homem é perdoado porque um dia Jesus morreu na cruz. No AT, em relação ao perdão, o homem olhava para o futuro e no NT ele olha para o passado.

   2. A QUEM FOI REVELADO O EVANGELHO DA GRAÇA?

   Bem, sabemos que a Bíblia contem os 4 primeiros livros do NT que são chamado de Evangelhos, e de certa forma o são; porque neles encontramos boas novas, mas estes livros não contem o Evangelho da Graça na sua íntegra. O Evangelho da Graça, propriamente dito foi Revelado a Paulo. Temos que entender que a dispensação (o tempo) da graça não teve o seu inicio no nascimento de Cristo. Jesus nasceu, viveu, ministrou e morreu  na dispensação da lei. Ele cumpriu a lei, por isso ele é o fim (propósito)  da lei. Ele pregou diretamente para os judeus. João disse: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1.11-13). Quando  ele foi oficialmente rejeitado pelos judeus? Na cruz. Até a cruz ele ministrou aos seus (judeus) e viveu para eles. Veja o que  ele disse: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15.24). “Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mc 7.27). A partir da cruz, quando ele foi oficialmente rejeitado pelos seus, começa a dispensação (o tempo) da Graça. Aí sim, “...a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” . Esse "todo" aqui não se refere a todos de uma forma geral e sim aos eleitos. Mas apesar da dispensação da graça ter sido estabelecida na cruz ainda não foi lá que ela foi consolidada. Os apóstolos do ministério de Jesus também viveram na guarda da lei. Eles absolveram a graça mas também guardavam a lei. Ensinaram a graça mas também ensinaram a lei. Era uma graça legalista.  Os apóstolos de Jerusalém, de certa forma, obrigaram a Paulo a observar a lei depois da sua última viagem missionária quando de volta aquela cidade. Veja que, de uma forma explicita e clara criticaram a Paulo por ensinar a graça somente. Até voto de nazireu induziram  a Paulo a fazer, se não veja: “E, logo que chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam de muito boa vontade. No dia seguinte, Paulo entrou conosco em casa de Tiago, (era o meio irmão do Senhor)  e todos os anciãos vieram ali. E, havendo-os saudado, contou-lhes minuciosamente o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios. E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que creem, e todos são zelosos da lei. E já acerca de ti (no caso, Paulo) foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisésdizendo que não devem circuncidar os filhosnem andar segundo o costume da lei. Que faremos, pois? Em todo o caso é necessário que a multidão se ajunte; porque terão ouvido que já és vindo. Faze, pois, isto que te dizemos: temos quatro varões que fizeram voto. Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei” (At 21.17-24). Isso não aconteceu no inicio  da igreja, não; mas foi depois da terceira viagem missionária de Paulo. A igreja de Jerusalém já estava bem estruturada. Mas eles, Pedro, Tiago e João, continuaram a observar a lei. Deve-se lembrar que este Tiago não é o do trio de Jesus, mas sim, o meio irmão dele, Jesus, que veio a crer, de fato, depois da morte dele. Aquele outro Tiago foi morto a mando de Herodes. Pelos que vemos no texto acima, fica bem claro que os apóstolos (Pedro, Tiago e João) eram legalistas. Não devemos estranhar tanto, depois de tanto tempo envolvidos com a lei. Toda a história de fé e crença da nação estava cdependendo da lei.

Veja também que Paulo ao narrar a sua conversão mencionou Ananias como um observador da lei: ”Um homem, chamado Ananias, piedoso conforme a lei, tendo bom testemunho de todos os judeus que ali moravam” (At 22:12).

Veja o que Tiago disse, dentre muitas outras coisas: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz” (Tg 4.11).

João disse: “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (1Jo 3.4).

       Paulo escrevendo aos Gálatas disse:  “E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. (alguém que carecia de repreensão por praticar algo errado). Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? (Gl 2.12-14).

       Na verdade o marco do inicio da dispensação da graça, de uma forma mais plena, foi no ano 70 dC, com a queda do templo, vejamos: “querendo com isto dar a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santo Lugar não se manifestou, enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido. É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9.8-10)  O versículo 8 na NVI diz: “dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto permanecia o primeiro tabernáculo”  Na King James diz: “Dessa maneira, o Espírito Santo estava revelando que, enquanto continuasse erguido o primeiro tabernáculo, o Caminho para o Santo dos Santos ainda não havia sido manifestado”

    a-  Paulo foi o receptor do Evangelho da Graça. Jesus o escolheu para tal. 

Ele mesmo demonstrou isso muitas vezes nas suas escritas:

      Veja: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24).

       Paulo chamou  o que ele pregava de “meu e nosso evangelho”.

      Veja ainda: “no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho (Rm 2:16) “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho” (2Tm 2:8). “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais” (1Co 15:1). “Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto”(2Co 4:3). “porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós” (1Ts 1.5).  “para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 2.14). Vejamos o que foi escrito a Tito: "Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternosem tempos devidos, manifestou a sua palavra mediante a pregação que me foi confiada por mandato de Deus, nosso Salvador" (Tt 1.1-3).

       Ele diferenciou o evangelho que pregava, veja o que ele disse: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11 e 12). Aqui fica bem claro que Paulo está falando que ele recebeu o Evangelho da Graça, diretamente de Jesus em uma revelação. E se voltarmos aos textos acima veremos a razão pela qual ele, Paulo,  chamava o evangelho que ele pregava de “meu evangelho”

     O evangelho que ele pregava era diferente do evangelho que os demais apóstolos (Pedro, Tiago, João e Apolo) pregavam; porque ele pregava um evangelho  da pura graça e os demais pregavam o mesmo evangelho (não era outro), mas mesclado com o legalismo. Ele disse: “Subi em obediência a uma revelação; e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que pareciam de maior influência, para, de algum modo, não correr ou ter corrido em vão” (Gl 2.2)

    Ele disse mais: "antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão (para os gentios) me fora confiado, como a Pedro o da circuncisão (pois aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão  - para os judeus - também operou eficazmente em mim para com os gentios) e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão; (judeus) ” (Gl 2.7-9). O evangelho da incircuncisão é o mesmo evangelho da graça para o qual Paulo foi designado a ensinar aos gentios. Diferente do evangelho da circuncisão que Pedro pregava aos judeus. O evangelho da graça é livre de quaisquer amarras da lei, não há nele nada de legalismo.  Já o evangelho da circuncisão, que Pedro, Tiago e João pregavam estava mesclado com a lei. Tiago diz, de uma forma bem clara, que o homem não pode ser salvo somente pela fé sem as obras: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tg 2.14. Leia o capítulo todo). E Paulo disse que o homem é justificado sem as obras, veja: “sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 2.16; 3.10). Se as obras da lei não podiam salvar, que outra obra poderia salvar, senão a da cruz, que é aceita somente por fé mediante a graça?

    Ele disse que a dispensação (o tempo) da graça de Deus lhe foi confiada e essa dispensação só poderia ser estabelecida mediante a pregação do evangelho (boas novas) da graça “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios, se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada para vós outros; pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente” (Ef 3.1-3). Essa dispensação da  graça de Deus foi revelada de uma forma plena no evangelho da graça que Paulo recebeu. Pois no evangelho da graça é desvendada a dispensação da graça. Antes era como se fosse um mistério.

    Ele disse aos gálatas: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gl 1.6-9). Paulo aqui chama de outro evangelho qualquer mensagem pregada por alguém que contradissesse o evangelho que ele pregava. O evangelho que ele pregava era o mesmo que ele recebeu diretamente de Jesus e  o mesmo que ele chamava de meu evangelho e esse era e é o evangelho da graça de Deus.

   3. A QUEM FOI DESTINADO O EVANGELHO DA GRAÇA?

  O Evangelho da Graça foi revelado a Paulo, como apóstolo do gentios ou da incircuncisão,  e destinado aos eleitos de Deus. Os eleitos que compõem a igreja do Senhor. Essa igreja é composta com todos os salvos de todas as épocas e de todos os lugares, dentro do tempo da graça, depois da cruz, independentemente de raça, tribo e nação.

   4. QUAL É O OUTRO  “EVANGELHO”?

  Como já mencionei acima, na verdade, não há outro evangelho, o que há, na realidade,  é o mesmo evangelho misturado com qualquer outra mensagem; isto é, o que Paulo a principio chama de outro evangelho é o mesmo evangelho deturpado ou mesclado com o legalismo. A partir do verdadeiro evangelho muitos “outros evangelhos”  têm surgido. Veja: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7)

  No inicio ele chamou de outro evangelho, depois ele diz que aquele “outro” evangelho não passava do verdadeiro evangelho só que pervertido e deturpado com ingrediente da lei, uma versão diferente, digamos assim. É o que acontece hoje. O percentual de mensagens com as características daquele “outro” evangelho pregado hoje, por todos os meios de comunicação, é muito grande. É estarrecedor! Muitas heresias mesmo! Cada pregador procurando passar uma mensagem que agrada o ouvinte e que por isso o atrai. Porque o propósito de tais pastores é ter seus templos cheios de pessoas, sem levar em consideração se elas se importam ou não com a qualidade de vida com Deus. Por que os profetas e pregadores do passado foram mortos? Porque não pregavam  a mensagem que os ouvintes gostavam de ouvir. Quando pregamos  a verdadeira  mensagem, nem sempre cativamos os ouvintes.

5. A DIFERENÇA ENTRE O EVANGELHO DA GRAÇA E O “OUTRO” EVANGELHO      

  Já vimos que há uma diferença entre o evangelho pregado por Pedro, Tiago e João (evangelho da circuncisão) e o que Paulo pregava (o evangelho da plena graça e o mesmo que da incircuncisão). No Evangelho da Graça de Deus, como já mencionei,  é ensinado que o homem é salvo pela graça mediante a fé independentemente das obras e no Evangelho da circuncisão, é ensinado que a salvação não é plenamente pela a graça mediante a fé. Temos que complementar com alguma obra. Veja novamente o que Tiago diz com o evangelho da circucisão: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante? Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus. Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tg 2.14-24). Repara que Tiago mesmo disse que Abraão creu e isso lhe foi imputado para justiça, Abraão não chegou executar o sacrifício, mais ele creu. Então não houve obra da parte de Abraão, e sim fé. E Paulo, como já mencionei acima, tem uma mensagem bem diferente, veja: “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Rm 3.20,28; Gl 2.16; 3.2,5,10).

   Passei grande parte da minha vida lendo explicações de teólogos, dos mais variados, sobre a ausência de contradição nesses textos. Hoje, para mim, está bem claro que tais explicações sempre foram jeitinhos que davam para não deixar transparecer a realidade. Depois que  entendi o evangelho da graça, sua origem e a quem ele foi revelado, para mim ficou bem claro que existe uma contradição sim. E essa contradição é revelada pelo que foi dito acima. A diferença entre o puro evangelho da graça que foi recebido e pregado por Paulo e o evangelho misturado com a lei que os outros apóstolos pregavam. Não precisamos de explicações, argumentações teológicas sobre isso. Precisamos, sim, deixar a Bíblia falar por si só. Se está escrito nela, nós cremos. É melhor aceitar o que está escrito do jeito que está escrito, do que procurar saídas teológicas. Na realidade é a verdade pura que liberta e não a teologia.

Há mais de 30 anos  fiz seminário e faculdade de teologia; tenho lido muitos livros, tratados e teses teológicas e sempre no mais profundo do meu coração havia uma insatisfação com tanto conhecimento e tão pouca revelação. Hoje todo o contexto bíblico se encaixa de uma forma plena e harmoniosa na minha compreensão. O conhecimento do evangelho da graça nos libertas dos porquês sem repostas. Cada mensagem bíblica  tem a sua aplicação a pessoa e época certa. Se pegarmos uma mensagem bíblica escrita para o judeus no AT, a mesma não pode ser aplicada aos eleitos dentre os gentios. Mas a mensagem da graça se aplica tanto aos judeus como aos gentios eleitos mediante a soberana graça de Deus. Ela  é definitiva e para todos. E se já fomos libertos por Cristo não devemos nos tornar escravos de doutrinas e costumes  humanos. Jesus disse: “Se o filhos vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Veja o que Paulo disse nesse aspecto: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1). Não estou afirmando com isso, necessariamente, que Pedro, Tiago e João, pregaram  uma mensagem errada, porque eles foram designados para os judeus, e para eles tinha que ser aquela mensagem. O erro está em aplicarmos a nós, os gentios, na integra o que eles ensinaram aos judeus.

  O evangelho da graça é a mensagem  de que a salvação é inteiramente  pela graça mediante a fé independentemente das obras. Paulo defendeu isso. Por outro lado o evangelho legalista afirma que a salvação não é inteiramente pela graça mediante a fé. Mas além da graça e da fé precisa haver obras. Tiago afirmou isso.

    Hoje o que mais ouvimos nos púlpitos das igrejas é esse “outro” evangelho. Para começar o não salvo, de acordo com eles, precisa tomar uma decisão em relação a Deus e a responsabilidade dessa decisão é deles (do homem); como se ele fosse capaz de tomar tal decisão. Toda a humanidade se perderia se a salvação dependesse da decisão de cada um. É verdade que deve haver uma decisão da parte do homem, mas para o homem tomar essa decisão, antes Deus opera nele o querer (Fp 2.13). Sem essa operação de Deus, nenhum homem poderia querer alguma coisa com ele, e nem crer. O perdido está morto em seus delitos e pecados e como morto ele jamais pode reagir a qualquer mensagem. Morto não reage a nada. Primeiro Deus injeta vida nele (novo nascimento) depois sim ele terá condições, mediante o querer também operado por Deus, de tomar uma decisão em relação a sua salvação em Jesus.

Passei tantos anos, também, fazendo convite para mortos receberem a Jesus. Mas hoje eu pergunto como um morto pode receber a Jesus? Veja esses textos: “ Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.1,5). Não concordo com convite para alguém receber a Jesus como salvador, pois essa é uma boa forma de fazer religioso. Esse convite externo nada, necessariamente, tem a ver com a decisão interna da pessoa. A decisão e o convite internos só o Espirito Santo pode processar. Alguém poderia dizer: mas Jesus disse, "vinde a mim...", é verdade, Jesus disse, mas em que época e para quem ele disse? Estava na lei e disse aos judeus. Na lei era diferente, decisões externas pesavam. Na graça para que a decisão externa tenha algum valor, precisa ser resultado da decisão interna, operada pelo Espirito Santo (2Co 3.5; Fp 2.13).

Quando a Bíblia diz: "Muitos são chamados e poucos escolhidos, está dizendo, que, muitos são os chamados mas poucos são os eleitos. Os escolhidos são os que ouvem e assimilam o convite internamente cujo resultado é a salvação. Os outros ouvem externamente, mas não assimilam internamente, no coração, por isso não são salvos.

 

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Pr Aramisio Borges

 

 


“Eu realmente só amo a Deus, na proporção em que amo a pessoa que menos amo” (Dorothy Day) 

Pr Aramisio Borges 

Natural de Goiânia, Go. Mora em SP desde 1983, servo de Deus a serviço de sua obra, Pastor há mais de 35 anos, teólogo, professor de Teologia e psicólogo; é responsável pela  MCDI - Ministério Cristão de Discipulado e Integração e pelo Instituto Exousia. Procura amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo, ama a família, a obra de Deus, seus amigos, a vida!  Na medida do possível procura ser amigo de todos e na mesma medida, procura ter paz com todos os homens.  Procurando sempre resolver todas as pendências. Tem procurado estar de bem com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Tem um grande interesse pelo bem-estar do ser humano, principalmente no que se refere ao seu relacionamento com o Criador. Não é perfeccionista, mas gosta do melhor possível. Não é dogmático, mas gosta de ter uma posição definida em relação aos temas e doutrinas da Bíblia. Não chegou ainda, aonde quer, mas sebe onde deve chegar e esforça-se para isso. Gosta de se relacionar com o ser humano, procurando sempre o melhor nas pessoas, mesmo que possa se surpreender com pior. Sabe que toda pessoa rotulada como ruim tem um lado positivo e toda considerada boa, tem um, pelo ao menos um, aspecto negativo. Assim é com todos. Considera o conhecimento e o envolvimento com a Soberana Graça de Deus como imprescindível para o cristão e entende que, para viver nessa plena graça precisa, antes de tudo, viver no pleno mover do Espirito Santo. E sem essa Graça ninguém seria salvo, pois foi nessa base da graça que Deus, soberanamente, nos elegeu em Cristo antes da fundação do mundo. 

Devocional Diário

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33. O Perdão dos Pecados

34. O que Paulo está falando em Romanos 3.1-8?

35. O Salvo nunca será Desqualificado

36. Os deuses Estranhos da Ciência Moderna

37. Por que não há mais apóstolos hoje?

38. Precisamos mais do conhecimento do Senhor

39. Quando tudo na vida se trava

40. Verdadeiramente Livres para viverem

41. Todo sucesso na vida cristã começa e depende do Espírito Santo

42. O Único Mandamento para nós, Hoje

43. O Jejum é para os nossos dias?

45. Seu cérebro tem um botão “delete” capaz de apagar memórias e pensamentos indesejáveis e aqui está como usá-lo >>>Baixar

46. O que é a verdade?

47.Tudo Sobre Jesus