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09) A Graça e a Nossa Tão Grande Salvação - 01

A Graça de Deus e a Nossa Tão Grande Salvação e suas questões  - Parte 01

“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?...” (Hb 2.3)

Essa maravilhosa e tão Grande Salvação abrange todos os aspectos da nossa vida. Envolve o nosso tão Grande Perdão, nossa tão Grande Redenção, nossa tão Grande Propiciação, nossa tão Grande Reconciliação, a nossa tão Grande e Perfeita Paz, a nossa tão Grande Segurança e a nossa tão Infinita Eternidade. Mencionamos mais sobre essa grandeza da nossa salvação na parte 5.   

1ª Questão – Todo homem é pecador. Todos os cristãos em todas as épocas sempre concordaram que  o homem já nasce em pecado e continua pecando até o final de sua vida. Esse dispositivo e capacidade de pecar foi passado de Adão para cada descendente dele. (não esquecer que Jesus geneticamente não era descendente de Adão, por isso ele não tinha esse dispositivo. A "genética" do pecado foi transmitida através de Adão e não de Eva. Uma vez que toda a carga genética da humanidade foi constituída em Adão, e dele vieram todos, inclusive Eva, menos Jesus). Acho que a maioria concorda com isso. Entendemos que com o pecado do primeiro casal o homem mergulhou numa depravação total. Por isso vemos Paulo no NT falado do homem, sem Deus, como morto em seus delitos e pecados  Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos. E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos” (Ef 2.1,5; Cl 2.13). Aqui ele frisa bem esse fato: “...estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...”. Todos de fato precisam da graça de Deus. Precisaram e precisam da iniciativa de Deus para que a sua sorte seja mudada. O pecado matou, através do primeiro casal, toda a humanidade em toda a sua história. Não vou me ater muito neste ponto, uma vez, como já disse, que todos pensam em comum sobre o mesmo. Todos, sem exceção, ficaram destituído da glória de Deus e mortos em seus delitos e pecados..

2ª Questão – Todo homem precisa do Perdão – Uma vez que todos, em Adão, ficaram totalmente depravados, então se tornaram carentes de perdão de igual modo. Se não há ninguém  que não tenha sido contaminado  pelo pecado, pela depravação, então da mesma forma não há ninguém que não precise do perdão. Do perdão provido por Jesus na sua morte na Cruz. Ninguém pode se achegar a Deus  para a salvação sem que antes entenda e aceite esse fato.

O que primeiro precisa acontecer? O primeiro passo é a regeneração, (novo nascimento). Mas quem pode nascer de novo e o que fazer para que esse milagre imprescindível,  para a salvação do homem, aconteça? Já li muito sobre isso e o que a maioria afirma, é que o homem precisa crer antes de tudo. Até dizem que o crer é a única coisa que Deus pede do homem para que o mesmo seja salvo; acreditando que ao crer, o homem nasce de novo e  aí dá inicio a sua vida cristã. E até pensam que afirmando assim, estão falando de uma grande graça. Mas eu perguntaria, será que um morto em seus delitos e pecados poderia crer? Será que ele reagiria à pregação da palavra de Deus, através da qual poderia ter fé? Então pedir que o homem apenas crer, mesmo pedindo só isso, não é pedir muito para um morto? O morto espiritual não é diferente do morto física, não. Assim como um morto no aspecto físico não reagem a nada do que se fizer a ele, seja no falar, seja no tocar; assim também é o morto espiritual. Nada do que disser a ele vai surtir alguma  reação ou efeito. É claro que, para que um morto reaja, primeiro ele precisa de vida, (precisa de regeneração). E quem pode fazer isso? Somente Deus na ação do Espírito Santo, o Espírito Santo é o Espírito de Vida.

Se o novo nascimento é a primeira coisa que precisa acontecer, o que, então,  o homem precisa fazer para nascer de novo?  Nada! Simplesmente, nada! Alguém deve estar dizendo: que heresia é essa!?  Heresia é ensinar que um morto tem que crer para nascer de novo. É como dar comida para um defunto e esperar que o seu organismo reaja para digestão! Desde Adão, “a alma que pecar essa morrerá”.  E Adão pecou e morreu espiritualmente, e repassou essa morte para todos os seus descendentes. E para que qualquer um dos seus descendentes, em qualquer lugar ou época, viva no aspecto espiritual, precisa nascer   novamente. E para que o novo nascimento aconteça, Deus tem que agir, e para que Deus aja na vida de alguém no processo do novo nascimento essa pessoa precisar ter sido eleita no eterno passado, pelo próprio Deus. Alguém pode estar pensando em Mt 11. 28,29, “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.  Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. Aguem diz: aqui está falando que o homem tem que decidir. E em Jo 7:37 “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. E aqui alguém diz: o homem precisa fazer alguma coisa para ser salvo! Sim, o homem precisa atender o convite e precisa ter sede para vir a Deus e ser salvo. Mas eu digo, no aspecto do convite, há um convite externo a todos e um interno destinado aos eleitos. O homem só tem condições de atender o convite interno, por ser ele eleito, o próprio Deus opera nele tanto quer como o realizar (Fp 2.13). Só o eleito atende o convite. No tocante a sede, da mesma forma só o eleito pode ter essa sede.  Muito são chamados e poucos escolhidos "Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos" (Mt 22.14).  (veja sobre essa assunto, da eleição, em outros artigos nesse site). 

Nas questões 1ª e 2ª quase todos os cristão do mundo, em todas as épocas, pensaram e pensam em comum, a diferença está  nestas questões  que vamos estudar agora.

3ª Questão – O pecado: contra o próximo, contra a si mesmo e contra Deus. Nessa questão, também, nos aspectos do pecado contra o próximo a e si mesmo não há muita diferença na definição da maioria. No que se refere ao pecado contra Deus é que difere. Todos sabemos que pecamos contra o próximo e contra a nossa própria consciência.

Bom, vamos enfatizar mais o aspecto do nosso pecado em relação a  Deus. Desde o Éden e por todo o AT o homem tem pecado contra Deus, e a maioria até hoje. Mas isso não se aplica ao salvo depois da cruz. Jesus morreu pelos pecados dos eleitos, (não de todos), veja Mt 1:21 “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. O seu povo aqui, não é o povo judeu como muitos pensam, mas tem a ver com os eleitos.

Jesus morreu pelos eleitos; por isso um eleito não precisa mais se preocupar com seus pecados em relação a Deus, pois os mesmos foram destruídos completamente na cruz de uma vez por todas, veja: “que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu  (Hb 7.27). Se ele fez isso de uma vez por todas, então não temos que fazer mais nada, nem pensar ou nos preocupar com eles. Procurar fazer alguma coisa em relação ao nosso pecado para ser perdoado, é querer acrescentar, ao que foi feito perfeito e eterno, com nossas obras imperfeitas. Isso é inconcebível e também uma afronta a Deus. Veja o que Paulo escreveu aos romanos: “bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado” (Rm 4.8). Imputar aqui seria atribuir, e Deus jamais atribuirá um pecado, seja ele qual for, a um salvo. Aos colossenses ele disse: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2.13,14). Também o escritor aos hebreus diz: “Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hb 9.26). Ora,  se Jesus aniquilou  o pecado nosso de uma vez por todas, se ele não imputa mais os nossos pecados, porque temos que pensar nele. Por que temos que ter sentimento de culpa por eles? Por que associamos o arrependimento, confissão e pedido de perdão, com o perdão que já foi consumado uma vez por todas lá na cruz?  Estou falando do pecado em relação a Deus e não em relação ao próximo. Vamos nos referia mais sobre isso mais na frente. Paulo escreveu aos colossenses que Jesus perdoou todos os nossos pecados, todos, sem exceção; e que o escrito de dívida que cada um de nós tinha contra si foi removido completamente, completamente, não em parte, e encravado na cruz.

4ª Questão – Como ser perdoado?  O perdão já foi consumado! Não precisamos fazer nada mais. Tudo foi feito com perfeição pelo nosso salvador. Dentro do que acreditamos, quero frisar o ponto que trata do nosso perdão e da nossa aceitação incondicional por Deus. Na teologia convencional, se entende, que, quando se pratica boas ações, se é fiel, ler muito a Bíblia, ora muito, frequenta bem a igreja, é fiel contribuinte, faz jejum constante etc. e não comete pecado, então é alguém amado e aceito por Deus. É como se Deus dependesse de nós, ou do que fazemos ou deixamos de fazer, para nos amar e nos aceitar. Para essa teologia equivocada, o amor e aceitação de Deus ao eleito não é incondicional. Depende do seu comportamento. É como se a salvação e sua preservação dependessem do homem e não de Deus. Ai de nós se fosse assim! Tanto a salvação como a sua preservação, no nível posicional, legal e forense, depende única e exclusivamente de Deus.

Hoje entendo da seguinte forma: Em relação a Deus não há mais pecado; na cruz o pecado, em relação a Deus, foi aniquilado. Veja novamente  Hb 9.26 “Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado”. Aniquilar no original significa: “Tornar sem efeito, anular, tornar em nada, destruir; transformar, nulificar, invalidar, arrasar, assolar, devastar, erradicar, exterminar e matar”. Na cruz Jesus tirou o nosso pecado “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Ele nos salvou dos nossos pecados. O anjo disse: “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Por muitos anos entendi que esse "seu povo" mencionado no versículo acima era o povo de israel, pois assim me ensinaram nos seminários e nos livros escritos há séculos; mas agora sei que se refere aos eleitos.  Ora se nós ainda tivéssemos que tratar do nosso pecado do passado, do presente ou do futuro, então não estaríamos salvos e livres deles! Se Jesus aniquilou, removeu, destruiu e tirou o nosso pecado, então isso também demonstra um dos aspectos da consumação na cruz. Se tivéssemos que acrescentar alguma coisa, por menor que fosse, a redenção não teria sido perfeita.

Veja novamente o que Paulo disse: "bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado" (Rm 4.8); A justiça de Jesus foi creditada em nossa conta e para sempre nenhum pecado pode ser creditado ali! Pecamos no nível da carne todo dia, toda hora e a toda instante,  mas esses pecados, de acordo com esses e outros textos, não são mais imputados ou levados em consideração por Deus. Pois estamos em Cristo Jesus; estamos inseridos nele e nele não há pecado. Como poderíamos estar em Jesus e mesmo assim estar em pecado? Não é uma incoerência? Por isso não devemos julgar a ninguém pelos seus atos. Precisamos olhar para as pessoas na ótica de Deus. Paulo disse: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor (sua forma de ver) está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster” (Rm 14:4). A ninguém mais devemos procurar conhecer segundo a carne “Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo” (2Co 5.16). 

 

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Pr Aramisio Borges

 


“Eu realmente só amo a Deus, na proporção em que amo a pessoa que menos amo” (Dorothy Day) 

Pr Aramisio Borges 

Natural de Goiânia, Go. Mora em SP desde 1983, servo de Deus a serviço de sua obra, Pastor há mais de 35 anos, teólogo, professor de Teologia e psicólogo; é responsável pela  MCDI - Ministério Cristão de Discipulado e Integração e pelo Instituto Exousia. Procura amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo, ama a família, a obra de Deus, seus amigos, a vida!  Na medida do possível procura ser amigo de todos e na mesma medida, procura ter paz com todos os homens.  Procurando sempre resolver todas as pendências. Tem procurado estar de bem com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Tem um grande interesse pelo bem-estar do ser humano, principalmente no que se refere ao seu relacionamento com o Criador. Não é perfeccionista, mas gosta do melhor possível. Não é dogmático, mas gosta de ter uma posição definida em relação aos temas e doutrinas da Bíblia. Não chegou ainda, aonde quer, mas sebe onde deve chegar e esforça-se para isso. Gosta de se relacionar com o ser humano, procurando sempre o melhor nas pessoas, mesmo que possa se surpreender com pior. Sabe que toda pessoa rotulada como ruim tem um lado positivo e toda considerada boa, tem um, pelo ao menos um, aspecto negativo. Assim é com todos. Considera o conhecimento e o envolvimento com a Soberana Graça de Deus como imprescindível para o cristão e entende que, para viver nessa plena graça precisa, antes de tudo, viver no pleno mover do Espirito Santo. E sem essa Graça ninguém seria salvo, pois foi nessa base da graça que Deus, soberanamente, nos elegeu em Cristo antes da fundação do mundo. 

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